QUAL A IMPORTÂNCIA DO 20 DE NOVEMBRO?

A história é contada a partir do ponto de vista do dominador, do vencedor. Com a historia do povo brasileiro não é diferente.

por Acacio Godoy membro da CONEPIR – Conselho do Negro de Piracicaba.

Nelson Rolihlahla Mandela foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 199
Nelson Rolihlahla Mandela foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993.

Hoje vivemos um momento muito importante para a história afro-brasileira. Momento esse que representa toda luta dos abolicionistas, os quilombos, a frente negra e todos os militantes dos movimentos negro do país pois estamos retomando com todas as dificuldades mas também com muita firmeza a posse da nossa verdadeira historia. Esse é um processo lento e difícil e que tem exigido a soma de varias forças em diversas frentes entre elas a histórica, a política, a cultural, a social e principalmente a educação .

Contar a sua própria historia é muito importante para a criação da identidade de um povo e ai reside a importância da comemoração do mês da consciência negra e o dia 20 de novembro. Neste mês fazemos a reflexão sobre essa identidade, debruçados sobre a historia mal contada trabalhamos para reconta la de maneira correta.

Os feriados da republica e religiosos atendem ao mesmo intuito de se fazer reviver momentos históricos de nosso país, relembra-los e assim reconta-los de gerações em gerações mantendo viva a lembrança daquele período com todos os ensinamentos que deles possam vir.

Recontar a historia do povo negro que ajudou a construir a riqueza e a identidade nacional sem esbarrar na lamentação e sim demonstrando a força e o valor da pluralidade sócio cultural que a vinda dos africanos trouxe a edificação do nosso país despida dos preconceitos, do racismo e dos vícios do ponto de vista do escravizador, do dominador e do explorador é nosso maior desafio.

batuque de umbigada piracicaba

Quando os negros foram sequestrados do seu país e do seu continente para o Brasil não foram trazidos para cá escravos e sim reis, rainhas, artesãos, guerreiros e famílias. O negro entra na historia oficial como escravo e sai em 13 de maio de 1888 quando da abolição e no restante da linha do tempo seu papel é diminuído, excluído, alterado e até mesmo ignorado pela historia oficial. Um exemplo disso é a frente negra que chegou a ter 100 mil associados na década de 30, um grupo que é considerado uma espécie de partido negro e que chegou a ter inclusive órgãos de imprensa e que desarticulado pelo governo Vargas não consta nos livros de história e nem é contada ou ensinada nas escolas.

O 20 de novembro e o próprio mês da consciência negra é uma oportunidade indispensável de revisitar-mos nossa historia com olhos atentos, rediscuti-la e a partir daí avançarmos para o futuro sobre uma base solidificada na verdade. Esse é um dos papeis dos movimentos negros contemporâneos, avançar na luta iniciada por tantos outros pela busca da nossa verdade, pela reafirmação do nosso orgulho, pela riqueza de nossos ancestrais e pela sua sabedoria milenar sem perder de vista outros desafios como a luta das classes sociais, a valorização da cultura, o acesso ao trabalho e a renda, alem de educação e saúde, o combate ao preconceito, ao racismo e a discriminação.

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O 20 de novembro nos remete a um de nossos heróis, Zumbi dos Palmares, mas temos tantos outros para festejarmos e admirarmos na historia do Brasil e tantos outros nos surgem a cada dia que precisaremos de muitos novembros negros para contar e recontar a historia de cada um.

Durante a segunda Guerra mundial Winston Churchill mandou seus soldados fotografar e documentar em tudo o que encontrasse sobre o genocídio judeu, e disseque se assim não fosse em 50 anos pessoas negariam que aquilo havia ocorrido. Nem bem haviam passados os 50 anos e ainda com sobreviventes do holocausto já surgiam pessoas negando as atrocidades daqueles acontecimentos terríveis. Pois bem, o mesmo ocorrerá com nossa historia se abrimos mãos de nossas datas festivas, da oralidade da documentação e da pesquisa exaustiva sobre nossas verdades por isso viva Zumbi e viva a acima de tudo a consciência.

Acacio Godoy

Acácio Godoy – Presidente da Comissão de Ética do CONEPIR.

Informações: acacio@conepir.org

CONTATOS:

http://conselhos.piracicaba.sp.gov.br/conepir/contatos/

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TV CASA DE CULTURA HIP HOP DE PIRACICABA

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Você ja viu? Isso mesmo. Você ja viu, ja curtiu o Canal do Youtube da Casa. Ta esperando o que? Clique aqui e veja os principais vídes que mostram os resultado do trabalho da Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba. A Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba  é uma organização sem fins de lucro que nasce por volta de 1985 com o forte movimento de produção cultural negra no bairro Paulicéia na periferia da cidade. A Casa destaca-se à partir de 2001 com promoção da cultura da cidade de Piracicaba através de seminários no SESC Piracicaba e hoje é reconhecida pelo atuação em projetos de educação, cultura e juventude.

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TV da Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba

Os projetos da Casa atende cerca de 400 crianças e jovens com atividades de arte, cultura, comunicação, esporte, lazer, cidadania e educação para o trabalho á partir dos 5 elementos da cultura hip hop. A metodologia das ações da organização esta pautada na Educação Integral e dessa dorma considera e trabalha o contexto dos beneficiados, promovendo ainda o fortalecimento das famílias e comunidades. Curta a TV da Casa e contibua com o sucesso de nosso trabalho.

 

 

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO HIP HOP

A história do Hip Hop começa nos bairros de periferia de Nova York, mais precisamente no Bronx, onde a maioria dos habitantes eram negros, e imigrantes latinos. Como em todo gueto espalhado pelo mundo, os problemas sociais eram diversos, problemas de infra-estrutura, alcoolismo, tráfico de drogas, entre outros, em um cenário no qual os Black Panters, Partido dos Panteras Negras, partido esse, marxisista que lutava pelos direitos dos negros, perdia forças devido aos sangrentos ataques sofridos pela policia norte-americana. Em meio a tudo isso, no final da década de 60 e começo dos anos 70, as juventudes periféricas se dividiam em gangues e travavam duelos também sangrentos que aterrorizavam todos os moradores dos guetos, no qual marcavam seus territórios, faziam provocações e marcavam duelos através dos grafites, arte também levada ao Estados Unidos pelos imigrantes.

Kool Herc
Kool Herc

Um Disk Jockey, imigrante jamaicano chamdo Kool Herc, o qual levou a arte de discotecar para o Bronx, começou a fazer festas chamadas Block Parties, em equipamentos de som chamados Soundsystem, carros e caminhões equipados com equipamentos de som, parecidos com os trios elétricos de hoje, nas ruas do Bairro do Bronx, usando discos de Funk e Soul, ele produzia ao vivo uma batida forte, essas batidas eram usadas para os Mestres de Cerimônia, função essa, que nos primórdios do Hip Hop era desempenhada também pelos Disk Jockeys, a fazer as rimas improvisadas para animar as festas e saldar os dançarinos que aos poucos imitando os passos de James Brown e com uma grande influência latina iam moldando o que chamamos hoje de Break Dance. Muito atento a isso e começando a arte da discotecagem e sendo alunos de Kool Herc, estavam Afrika Baambata e Grand Master Flash, que começaram a reproduzir estas festas também, já com o objetivo de amenizar as guerras entre as gangues, eles passaram introduzir nas festas competições de dança entre as gangues rivais, que ao invés de se digladiarem pelas ruas, passaram aos poucos a se digladiar nas batalhas de dança, com animação das rimas de improviso dos Mestre de Cerimônias, a divulgação das festas eram feitas através dos Graffites, durante as festas os Mestres de Cerimônias sempre se preocupavam em passar uma mensagem consciente, no qual abominavam o uso de drogas e pregavam uma consciência mais politizada para poder melhorar as quebradas ao redor.

Em 12 de novembro de 1973, com o objetivo de amenizar os autos consumos de drogas lícitas ou ilícitas, usando como argumento o não uso dessas substâncias para melhorar suas performances,  e com um pensamento sempre de fraternidade e amor, não deixando de lado as políticas públicas voltadas as comunidades periférica, Afrika Bambaata funda a Zulu Nation, a organização que se tornaria a maior organização Hip Hop do mundo, ele juntou os quatro elementos, e desde então o Disk-Joquei passou a ser o D.J., o Mestre de Cerimônia, passou a ser o M.C., o dançarino ou dançarina de Break, passou a ser o B.Boy ou B.Girl respectivamente, juntamente ao Grafiteiro, e em 12 de novembro de 1974, essa junção de elementos recebeu a denominação de Hip Hop, que significa mexer o quadril.

Assim surgiu a Cultura Hip Hop com seus quatro elementos que, salva jovens da criminalidade e das drogas, aumenta a auto-estima, abre as mentes, formam cidadões mais politizados, e a busca de algo melhor para os cidadões e as quebradas ao redor do mundo.

"...Hip Hop é cultura urbana muito rica..."
“…Hip Hop é cultura urbana muito rica…”

Há também o quinto elemento que no qual engloba o incentivo a uma formação cidadã, conscientizando as pessoas dos seus direitos e deveres ressaltando a importância dos estudos, o amor ao próximo, a procura da melhoria pessoal e da comunidade a qual faz parte. A pessoa não precisa ser exatamente um dos quatro elementos para ser do Hip Hop, basta incentivar, divulgar e apoiar o quinto elemento, aliado a cultura Hip Hop, já é parte do quinto elemento.

Trocando em miúdos e concluído, Hip Hop não é dança, Hip Hop não é música, Hip Hop é uma Cultura Urbana muito rica, de origem Negra, com influência Latina que salva vidas.

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IGOR SERRA

igor serra piracicaba

 

 

 

 

Especialista em Meio Ambiente e Tesoureiro na programa de voluntariado da Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba.

OSVALDO FERREIRA: TRÊS PERGUNTAS SOBRE ARTE DO GRAFITE

Osvaldo Ferreira, Educador Social e Grafiteiro.
Osvaldo Ferreira, Educador Social e Grafiteiro.

O ato de desenhar na parede para se comunicar vem desde a era primitiva. A arte de grafitar passou pelas lutas do Imperio Romano, se reencontrou em 1970 na cidade de Nova York (EUA) e hoje ela se desenvolveu com formas, técnicas e até criou a profissão do grafiteiro. Para falar um pouco da arte do grafite o Blog da CASA entrevista uma pessoa que faz parte da história da Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba. Nosso primeiro bate papo da série TPS – Três Perguntas Sobre é com o Grafiteiro e Educador Social Osvaldo Ferreira.

Blog da CASA – O que é o grafite e qual a importancia dessa arte para a juventude?

Osvaldo – Na minha visão o grafite é uma manifestação artística onde cada grafiteiro cria uma obra a partir do seu olhar diferenciado e criativo do cotidiano. Ao relacionar o grafite com a juventude, acredito que não há juventude sem arte e portanto não há grafite sem a juventude. O grafite veio como um manifesto cultural dos jovens pra transformar a realidade em que viviam através da arte. Hoje o jovem pode usar a arte do grafite para exercitar sua liberdade, criatividade e fazer da sua expressão artística uma peças fundamentais para dar continuidade a tudo o que a CASA está construindo.

Blog da CASA – Como o jovem grafiteiro deve agir para eviter que sua arte seja apenas um discurso sem significado?
Osvaldo – Falar de regras no grafiti é complicado pois quando falamos de manifestação cultural, ela tanto pode ser politizado como apenas pode tirar uma “onda”  do artista. Mas, fazer uma arte vai muito de cada grafiteiro pois se ele levantar uma bandeira de protesto e utilizar a sua obra como um veiculo de comunicação, ele tem que entender que a crítica do público vai ser bem maior. Tudo vai depende do que ele quer para o trabalho como grafiteiro e pra sua vida enquanto cidadão.

Grafite pintado durante atividade cultural em frente a CASA.

Blog da CASA – Qual sua opinião sobre os grafiteiros e o grafite em Piracicaba e no interior paulista?

Osvaldo – Hoje tem vários tipos de recursos pra fazer grafite. A evolução dos grafiteiro é nítida pois hoje podemos ver grafite até em grandes galerias. No interior paulista a visão sobre essa manifestação cultural também está evoluindo e já foi o tempo em que o interior paulista só tinha novidade um ano depois que a mesma foi lançada na capital. Hoje os grafiteiros e os apreciadores dessa arte falam a mesma língua ou dependendo do projeto falam até de maneira mais profissional. Aqui em Piracicaba o grafite foi bem aceito e foi recebido com um pouco mais de respeito por parte de alguns órgão governamentais. Mas, por outro lado, olhe em frente ao Ginásio do XV de Piracicaba, no Cemitério da Saudade, você não ve nenhum grafite no muro. Agora em novembro uma organizarão governamental piracicabana realizou um evento, fez uma grande publicação na mídia local falando sobre o grafite e você não via na programação nenhum grafiteiro daqui e só de outra cidade. Estamos praticando grafite a quase 10 anos e esse ano a Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba completou 11 anos. Mesmo a CASA se tornando referência em assunto de arte urbana e juventude na região, nenhum de nós fomos convidado para participar. Eu fico triste com essas coisas. Mesmo assim, o que nos faz continua é o apoio da população e os trabalho voluntário que a CASA recebe da comunidade.

Próximo convidado da série TPS – TRÊS PERGUNTAS SOBRE será Adilson Moraes Professor de Aula de Skate Board no Projeto BASE DOIS oferece aula de skate pra crianças e adolescente.

A CASA É UM JEITO DE MUDAR O MUNDO

Nos anos 70 e 80, as pessoas fantasiavam a chegada do século XXI como a idéia de uma era de alto desenvolvimento tecnológico: teríamos megacidades, carros voadores, teletransporte, robôs para nos ajudar nas mais diversas tarefas, etc. Muita gente também imaginava que essa seria uma época de esperança, pessoas e países mais humanos. Mas não foi bem assim que aconteceu.

Chegaram os anos 90 e, à medida que essa década acabava, o mundo percebia que o futuro não seria como esperava-se que fosse. Infelizmente, 2001 — virada de século e de milênio — trouxe ainda mais miséria, desigualdade social e econômica, doenças e violência entre as pessoas e contra o meio ambiente.

Por essa razão, representantes das Nações Unidas resolveram se reunir para repensar suas políticas e elaborar uma nova visão de futuro para a humanidade. O encontro, chamado Cúpula do Milênio, aconteceu entre os dias 6 e 8 de setembro de 2000 e gerou o documento Declaração do Milênio, em que esses representantes listaram suas maiores preocupações, ou seja, os principais problemas que podem colocar em risco o futuro da humanidade:

A CASA muda o mundo e protaginiza a criança e o joven
A CASA atua com ações de promoção aos direitos humanos por meio de atividades de inclusão social de crianças e jovens.
  • fome e extrema pobreza;
  • dificuldades de acesso à Educação e baixa qualidade das estruturas educacionais existentes em muitos países;
  • posição inferior da mulher em diversas esferas da vida social e econômica;
  • altas taxas de mortalidade infantil e precariedade do atendimento às gestantes, principalmente nos países em desenvolvimento;
  • doenças como AIDS, malária e tuberculose, que continuam matando intensamente;
  • sustentabilidade ambiental;
  • persistência de algumas relações perversas entre “os tubarões” e “os peixes pequenos” (países e/ou empresas) envolvidos no jogo da economia mundial.

Mas de nada adianta apenas pensar nos problemas, se a gente não faz nada para resolvê-los, não é mesmo? Por isso, os representantes de 191 Estados-membros das Nações Unidas que compareceram à Cúpula do Milênio decidiram parar de se lamentar e partiram para a “briga”. Calma, a briga não foi entre eles, e sim contra os problemas. Esse esforço resultou nos 8 objetivos do milênio: um conjunto de alvos que os países devem atingir até 2015 para realmente melhorar o mundo. Não são apenas “oito coisas” para se fazer, são oito grandes objetivos subdivididos em dezoito tarefas ou, como convencionou-se chamar, dezoito metas. Nas próximas páginas, você verá como o Brasil tem evoluído (ou não) no caminho para a conquista dessas metas.

  Dos 8 objetivos do momilênio a Casa de Cultura Hip Hop de Piracicaba  se compromete em suas ações voluntárias com alguns citados abaixo:

1) Erradicar a extrema pobreza e a fome
2) Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

3) Garantir a sustentabilidade ambiental
4) Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

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Juventude, Educação e Cultura.